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Presença Franciscana

Sobre a presença franciscana e a assistência religiosa prestada aos moradores desta zona, informam os livros paroquiais, principalmen-te os livros de batizados de São José de Ribamar, que figuraram como sacerdotes os Franciscanos Menores do Convento de Recife Frei Manoel de Santa Maria e São Paulo, OFM (1758), Frei Bartolomeu dos Remédios, OFM (1758), e de 1781 a 1800 Frei José de Santa Clara Monte Falco, OFM.

Esses religiosos conhecidos como esmoleres franciscanos, munidos do privilégio de usar altar portátil, onde não houvesse capela nem igreja  vizinha,  como  era  o  caso em   toda   região   de  Canindé  e

Missionários Desobrigantes nos sertões de Canindé
Missionários Desobrigantes nos sertões de Canindé
autorizados pelo Vigário de São José de Ribamar desobrigavam os fiéis e celebravam a santa missa nas próprias casas de vivenda, como aconteceu em 1759 na Fazenda Campos, residência de Antonio dos Santos, e na Fazenda Longá, de Julião Coelho da Silva.

Outros registros dão conta da presença franciscana nas desobrigas e santas missões, como em 1799 com Frei Vital da Penha, OFMcap, que levantou o primeiro cruzeiro em frente a Basílica de São Francisco e Frei Cassiano de Comachio, OFMcap, em 1888.

Por convite do Reverendíssimo Dom Joaquim José Vieira, segundo Bispo do Ceará, a Missão dos Frades Capuchinhos do Norte do Brasil aceitou assumir uma residência no Santuário de São Francisco das Chagas em Canindé. O Geral da Ordem era Frei Bernardo Andermatt, Frei Paulino de Verdello era Provincial de São Carlos em Lombardia e o Superior Regular da missão era Frei Rinaldi de Paullo.





A comunidade para a nova residência chegou em Canindé no dia 23 de setembro de 1898 e era composta pelos religiosos: Frei David de Dezenzano, presidente, Frei Mathias de Ponterânica, estudante de teologia, Frei Daniel de Samarate, clérigo estudante, Frei Cyrilo de Bérgamo, clérigo estudante, Frei Abel de Brignano, clérigo estudante, Frei Agostinho de Carpignano, clérigo estudante, Frei Serafim de Pisogne, leigo e Frei João Maria de Malegno, clérigo estudante.

Os religiosos foram encontrados pelo povo de Canindé tendo à frente o Vigário da Freguesia Padre Manoel Cordeiro da Cruz, que deu entusiásticos vivas, repetidos pelo povo. Seguiram para a residência do Capelão Padre Luiz de Sousa Leitão, que os recebeu amistosamente e caridosamente lhes serviu um gostosíssimo jantar. Em seguida dirigiram-se para a Casa da Caridade, nova residência missionária, que daí em diante passou a chamar-se Casa de São Francisco.

Após o massacre de Alto Alegre (São José da Providencia) em Barra do Corda-MA em que foram mártires cinco irmãs capuchinhas de Gênova, Frei Reinaldo de Paullo, Superior Regular, outros dois sacerdotes e um casal de terceiros franciscanos, o novo superior Frei João Pedro de Sexto São João teve a inspiração de buscar uma resposta nordestina fundando a Congregação das Irmãs Missionárias Capuchinhas em 18 de dezembro de 1904 com cinco moças terceiras franciscanas de Canindé: Ana Macambira (Irmã Clara de Canindé), Maria Cordeiro Barbosa (Irmã  Inês  de  Santa   Quitéria),

Fundadoras da Congregação das Irmãs Missionárias Capuchinhas
Fundadoras da Congregação das Irmãs
Missionárias Capuchinhas
Maria de Magalhães Barbosa (Irmã Isabel de Canindé), Cecília Rodrigues Pimenta (Irmã Verônica de Canindé) e Maria de Nazaré Santos Lessa (Irmã Madalena de Canindé).

Após a fundação ocorrida no Convento de Belém, as fundadoras se instalaram na Colônia do Prata e no ano de 1913 fincaram suas raízes em Canindé, assumindo a direção do Orfanato Santa Clara.

Aos 27 de fevereiro de 1913 chegaram em Canindé as religiosas Irmã Águeda de São José, Irmã Margarida Martins e a Madre Escolástica de Redenção.

Foram 25 anos de providencial administração dos Missionários Capuchinhos, que podemos igualmente com inteira justiça, considerar o período de ouro da Igreja de São Francisco. No dia 25 de março de 1923, deu-se a despedida dos abnegados capuchinhos de Canindé.

Por convite de Dom Manoel da Silva Gomes, terceiro Bispo do Ceará, o Superior Provincial Frei Damião Klein, OFM, da Província Santo Antonio do Brasil, decidiu que os Frades Menores assumiriam o trabalho de cuidar do Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé.

No ano de 1923 chegaram a Canindé o Provincial Frei Damião Klein,OFM, o Definidor Frei Matias Teves, OFM, e o membro da província Frei Casimiro Brochtrup,OFM, que acompanharam Dom Manoel da Silva Gomes em sua visita pastoral daquele ano.

Frei Policarpo Cornelius de moto
Frei Policarpo Cornelius de moto



Após um tempo com acompanhamento de Frei Mathias de Ponterânica, no dia 26 de março de 1923 tomou posse da Paróquia o novo Vigário Frei Lucas Vonnegut, OFM, e em abril chegaram os primeiros cooperadores Frei Estevão Roettger, Frei Paulo Klinkene, Frei Maurício Mellage, Frei Nicácio Kipshagen. Em 1924 chegaram Frei Policarpo Cornelius e Frei Paulino Ramalho.

Os primeiros cuidados dos filhos de São Francisco foram dispensados às associações religiosas, o atendimento aos romeiros e o acompanhamento das capelas.

Aos 26 de novembro de 1923 chegaram a Canindé as primeiras religiosas Missionárias da Imaculada Conceição, sendo Madre Clara Eller, Irmã Paula, Irmã Agostinha e Irmã Gabriela que assumiram o Educandário Santa Clara.

Aos 11 de agosto de 1994 chegaram a Canindé as Irmãs da Ordem de Santa Clara (Clarissas) provenientes do mosteiro de Campina Grande, sendo elas, Madre Maria Betânia, Irmã Deogracias, Irmã Anunciada, Irmã Maria Tadeu, Irmã Ana Clara e Irmã Gertrudes (Noviça), que residiram provisoriamente na Casa da Pastoral da Saúde, sendo que em 27 de dezembro de 1996 foi concluído e inaugurado o Mosteiro do Santíssimo Sacramento como residência desta Segunda Ordem da família franciscana, que se dedicam à vida orante e contemplativa em favor da Igreja, por toda a humanidade e cristãos de vida ativa.

A história, a vida do povo, a cultura, e o desenvolvimento de Canindé têm ligação profunda com a esplendida atuação dos franciscanos nestes mais  de  80  anos  de  caminhada  nos sertões de Canindé. Canindé  e  sua  gente não seriam o que

Irmã Ana Clara
Irmã Ana Clara
são sem a família franciscana, seja na atuação pastoral, no acolhimento ao irmão romeiro e no serviço social.

Destacamos a fundação do Hospital São Francisco (1965), o Curso Profissional (1965), o Centro de Catequese (1975), o Lar São José (1976), o Centro Educacional São Francisco (1967), a Rádio São Francisco (1989), o Centro do Desnutrido (1999), a Casa da Mamãe (1999) e o Centro de Atendimento Psicosocial (1991), além de inúmeras campanhas, mutirões e movimentos em favor dos excluídos.

A Fraternidade Franciscana de Santo Antonio no momento conta com:





  • Frei João Amilton dos Santos (Guardião)
  • Frei Osmar da Silva (Vigário da Casa)
  • Frei Adimar Colaço
  • Frei Albano Pereira Nóbrega
  • Frei Antônio Góis
  • Frei Jefferson Emanuel
  • Frei José da Silva
  • Frei José Domingos Barros
  • Frei Reginaldo Araújo
  • Frei Sigismundo Feitosa Gomes

Fontes:

WILLEKE, Frei Venâncio, OFM. São Francisco das Chagas de Canindé. Salvador-BA. Mensageiro da Fé, 1962.

NEMBRO, Frei Metódio, OFMCap. Frei João Pedro – Missionário Capuchinho Superior e Fundador.Tradução de Antônio Angonese – Editora Vozes Ltda

 

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