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Romaria

É uma prática de piedade popular. É uma experiência de peregrinação religiosa feita a algum santuário distante para se estabelecer uma relação afetiva com o Sagrado, a fim de conseguir graças ou superação dos males.

A romaria ao Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé é reconhecida e favorecida pelas autoridades eclesiásticas e foi difundida em todo nordeste pela ação missionária dos frades capuchinhos e franciscanos, transpondo inclusive os limites do Estado, chegando ao Pará, Acre e Amazônia.

Para além da Igreja Oficial é devoção popular que pertence à essência da fé Cristã e constitui uma prática comum dos nossos antepassados.

Painel de São Francisco
Painel de São Francisco

Já no século XVIII havia fervorosa fé nos favores e graças que se obtinham de Deus pela intercessão do glorioso Padroeiro de Canindé; muitos peregrinos, de distantes terras, aqui vinham deixar seus óbolos, em penhor de seus agradecimentos. Isso atestam as tradições transmitidas e conservadas pela atual geração, e uma dessas é a que se refere à milagrosa salvação do pedreiro Antonio Maciel que, quando trabalhava na Capela, se desprendeu de um andaime.

Corre com bons fundamentos, e ouvimos a nossos antigos, que esse homem ao desprender-se, de vertiginosa altura, implorou, num grito de desespero, o socorro de São Francisco; a queda seria fatal, atendendo à altura em que trabalhava ele.

Mas, prodigiosamente, mal gritou pelo nome do Santo, sentiu-se suspenso pela camisa à ponta de uma tábua, sendo imediatamente salvo e retirado dali pelos outros operários.

Diz-nos ainda a tradição dos nossos antepassados que, quando Francisco Xavier de Medeiros deu início aos primeiros fundamentos da Capela votiva de São Francisco, o terreno escolhido para a sua colocação pertencia a três proprietários residentes na capitania de Pernambuco, cujo terreno fazia parte da velha fazenda Renguengue; estes, por seu procurador, opuseram-se à continuação da obra iniciada, negando-se a vender o terreno ou doá-lo ao Santo, como lhe propôs Medeiros, e puseram embargo judicial à obra.

Aconteceu, porém, que um deles logo em seguida caiu gravemente enfermo, do que veio a falecer. Igual sorte teve o segundo, e o último, finalmente, adoecendo também, prometeu fazer doação a São Francisco do terreno em que estava sendo edificada a Capela, caso por sua intervenção chegasse a restabelecer-se. Efetivamente, logo que recobrou a saúde fez doação das referidas terras à margem esquerda do Rio Canindé.

Este fato corroborado com o incidente do pedreiro já mencionado, parece-nos, foi a origem principal das peregrinações a São Francisco de Canindé, ou pelo menos concorreu em dar-lhes maior desenvolvimento.


Romeiros pagando promessas
Romeiros pagando promessas


Remontamos, portanto, o início da devoção a São Francisco a essa época remota e podemos afirmar que as primeiras manifestações extraordinárias da intercessão do Santo, no Santuário datam do tempo da construção do mesmo. Pelo menos esses que acabamos de citar, provam as nossas suposições.

Hoje os fatos extraordinários são tão freqüentes que atraem a admiração pública. O eco desses primeiros acontecimentos prodigiosos repercutiu ao longe, e, desde  então, uma  corrente contínua de romeiros entraconstantemente   às  portas  do

magnífico templo, que se ergue, majestoso e dispensando granças.



Fonte:

WILLEKE, Frei Venâncio, OFM. São Francisco das Chagas de Canindé. Salvador-BA. Mensageiro da Fé, 1962.

 

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